quarta-feira, 13 de maio de 2009
A energia do mundo anda me movendo. Em cada gesto, nuvem, cor, cheiro, calor. Em cada olhar que vai, eu quero ficar. Em cada palavra que fica, eu desapareço. Em todo e qualquer momento, me fragmento. Me perco, me esqueço. Não sei se fui guardada, mas também não quero voltar pra buscar. Ficou ali. Fiquei ali, aqui e em todo canto, brecha ou fresta. No soar do relógio a cada hora, esquecida na gaveta. A cada assunto esquecido, a cada momento passado. As sutilezas do mundo andam me tocando. Na chuva que escorre na janela do carro. No sereno da estrada. Na madrugada. No céu do fim da tarde que colore tudo e todo mundo. No dia frio de sol e céu azul. O vazio das pessoas andam me esmagando. No desviar de cada olhar, palavra. Na repulsa do toque. Na covardia da ausência. Que anda me torturando. Que anda me confundindo. Que anda. Anda simplesmente virando as costas e indo embora. E eu que já me perdi nesse mundo todo, só consigo agora ficar. Então fico.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
"(...) Nada mais terrível do que não ter nascido! ele dissera um dia. E agora? Agora só a liberdade importava: liberdade de um dia olhar o outro nos olhos e dizer: és tu - reconhecê-lo, identificar-se com ele logo que o encontrasse e enfim se deixar viver numa enfim conquistada disponibilidade, que a vida em si mesmo justificava. O anonimato, por exemplo, era uma antevisão do paraíso - andar desconhecido e livre pelas ruas, ninguém o identificava."
domingo, 7 de setembro de 2008
Essa manhã quase não consegui acordar de um sonho terrível. E quando acordei não era eu. Era eu e tudo misturado. As palavras, os pensamentos, as cores, lembranças. Coração, estômago, cabeça, tudo de cabeça pra baixo, tudo revirado. Que sensação mais esquisita! Parece que eu to do avesso. Mas ainda assim não dá pra enxergar direito o que que tem aqui dentro. Ou o que não tem. Se bem que o fora e o dentro também tão misturados. Não sei se dói mais o que vem de fora ou de dentro. Também não sei se sei a diferença entre os dois. É que tá tudo tão confuso. Eu preciso de alguma coisa que eu não sei o que é, mas eu preciso. Eu preciso de certeza. Preciso poder querer. Preciso querer poder. Preciso querer e poder. Preciso de tato, de concreto, do que é real ou que a realidade pertença. Fragmentos, tudo o que eu tenho são fragmentos. Que se perdem aos poucos. Que me perdem aos poucos. Me perco aos poucos, muitos, rápido e sem dor. Até ficar tudo vazio. Oco. No universo tão vazio quanto.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
(Diálogos: com Gabriel, 21:21)
(...)
- Mas acho que tudo tem seu tempo. E enquanto meu tempo nessa área anda em câmera lenta, eu tento fazer os meus outros relógios andarem pra frente. E uma hora, todos esses tempos se encontram. Sem pressa. Quem tem alma, pode sim ter calma.
- Todos os relógios se encontram...
- Mas é assim que eu vejo também... e os meus relógios e os seus, estão, geralmente, em tempos completamente diferentes. Mas são tempos que também se encontram. E é sempre ou quase sempre num desses momentos tão bons, que acabamos chamando de: sincronicidade.
(...)
- Mas acho que tudo tem seu tempo. E enquanto meu tempo nessa área anda em câmera lenta, eu tento fazer os meus outros relógios andarem pra frente. E uma hora, todos esses tempos se encontram. Sem pressa. Quem tem alma, pode sim ter calma.
- Todos os relógios se encontram...
- Mas é assim que eu vejo também... e os meus relógios e os seus, estão, geralmente, em tempos completamente diferentes. Mas são tempos que também se encontram. E é sempre ou quase sempre num desses momentos tão bons, que acabamos chamando de: sincronicidade.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Porque tantos mundos separados pela distância astronômica de um braço? Mundos e mares de profundezas imenssuráveis, inabitáveis, inexploráveis. Mas agora, lá fora, todo mundo é uma ilha; à milhas e milhas de qualquer lugar. Os braços não mais se encontram, os olhares se evitam e os silêncios... silêncios não são mais só silêncios. São lacunas que se enchem de agonia e de palavras que atropelam, atrapalham a magia de um simples e grandioso silêncio. Silêncio.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
sente. não sente. frio com sol. céu azul. dormir. acordar. acordar dormindo. dormir acordado. dormente. não sente.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Existem coisas que realmente só os anos coseguem pôr no nosso caminho. Por mais que se tenha experiência e poucos anos de vida, vez ou outra a ingenuidade substitui os olhos pseudo-adultos por visões puras de uma criança, deformando uma situação, momento, palavra e transformando-os em algo singelo, comum, e principalmente, sem a maldade que os anos também se encarregam de plantar na vida de cada um. E eu, como sempre fico no meio do caminho quando tenho que tomar uma decisão, não sei como devo enxergar as coisas... se com a sensibilidade da idade ou se com algumas feridas e falhas da experiência. Existe tanta injustiça no mundo, nas famílias, nas pessoas... e eu caio em contradição sem saber se deixo os outros cuidarem das suas próprias vidas ou se tento reverter essas situações. Mudar o mundo, a maneira com que as pessoas se tratam, convivem... enfim. Às vezes observando as pessoas mais velhas que eu, dá pra ver que os anos, gradativamente, transformam algumas de suas percepções sensoriais, tornando, por exemplo, algum cheiro de infância em algo difícil de se lembrar, porém quando se lembra, torna a sensação bem mais intensa; afinal de contas já se passaram bons anos e aquilo, de alguma forma, ainda fica guardado na memória. Entretanto, o tempo também tem o dom de tirar algumas coisas que se gostaria de ter pra sempre. O mesmo também cria um receio da repetição de alguns momentos, dores, sofrimentos... Sem os anos para equilibrar esses dois pesos, se vive os extremos para que se adquira experiência até que o tempo seja suficiente para manter para balanceá-los, ou pelo menos chegar bem perto disso. E pelo que eu vejo e espero, tenho muito tempo pela frente... até lá, minhas singelas lentes de ingenuidade ainda vão se esbarrar muito com o que eu já vi à olhos 'nus', ou quem sabe pôr mais maldade nos olhos dos outros. Espero que não, porém espero sem pressa; o tempo pode ser sábio e eu ainda acredito nisso.
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